domingo, 13 de novembro de 2016

Birra.

O som lá para baixo deve estar uma loucura, dizia a boca à cabeça. Referia-se ao salão onde estava o coração.
Aqui por cima tudo bem, continuava a boca. E no entanto falava sussurrando, com medo de provocar dores à cabeça.

Porque tudo se trata de diplomacias, por vezes até de paninhos quentes; porque em certos dias não se resolvem os medos, só se seguram, com as pontas dos dedos. Como quem diz, mal e porcamente.

E o coração é o primeiro a sentir tudo - o primeiro a reagir, a pôr os pés à parede. Literalmente pontapeando as paredes da caixa, como um bebé muito crescido para a barriga da mãe.

E quando isso acontece, há que escolher boa música, pôr o banho a correr, ferver água para o chá, escolher a roupa mais confortável e com mais paciência nos bolsos. E não ter pressa, não ter barulho, não ter nada. Decidir não ter absolutamente nada, a não ser tolerância para com a birra de dentro. Que há de passar. Ah pois vai.

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